As joias sauditas e os presentes oficiais vendidos nos EUA
Arraste para o lado ou use as setas do teclado para passar os slides.
A Polícia Federal indiciou Jair Bolsonaro em 2024 por desviar e vender presentes oficiais recebidos de outros países. Em 2026, a PGR pediu o arquivamento, dizendo que a lei não é clara sobre a quem pertencem esses presentes. Bolsonaro não foi denunciado nem condenado nesse caso.
O que aconteceu8
- Em outubro de 2021, a Receita Federal reteve no aeroporto de Guarulhos um conjunto de joias dado pela Arábia Saudita. As peças estavam na mochila de um assessor do então ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, que disse não ter nada a declarar. Depois disso, houve ao menos seis tentativas de liberar as joias, inclusive por ofícios de Mauro Cid, ajudante de ordens de Bolsonaro. (Gazeta do Povo)
- Em março de 2023, por ordem do Tribunal de Contas da União (TCU), Bolsonaro devolveu outro estojo saudita com relógio, caneta, abotoaduras e anel, avaliado em cerca de R$ 500 mil, além de armas recebidas de presente. O TCU lembrou que um presidente só pode ficar com presente de uso pessoal e de baixo valor. (Agência Brasil)
- Em julho de 2024, a PF indiciou Bolsonaro e mais 11 pessoas por peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Para a PF, um grupo desviou presentes de alto valor, como joias, relógios e esculturas, para vendê-los no exterior. O valor dos itens chegou a R$ 6,8 milhões. (Agência Brasil, g1)
- Segundo o relatório da PF, o dinheiro das vendas voltava em espécie para o patrimônio de Bolsonaro, por meio de outras pessoas e sem passar por bancos. A PF aponta que o general Mauro Cesar Lourena Cid, pai de Mauro Cid, teria intermediado a entrega de US$ 68 mil em dinheiro ao ex-presidente. (Agência Brasil)
- Quando o caso veio a público, em março de 2023, houve uma operação para recomprar itens já vendidos. O advogado Frederick Wassef recomprou nos Estados Unidos um relógio Rolex que tinha sido vendido por Mauro Cid. (Agência Brasil, g1)
- Em março de 2026, o procurador-geral Paulo Gonet pediu o arquivamento. Para ele, as regras não deixam claro se um presente recebido no cargo é do presidente ou do Estado, e por isso não daria para falar em crime. (Agência Brasil, g1)
- Dias depois, o ministro Alexandre de Moraes pediu que a PGR analisasse o material dos celulares de Wassef antes de ele decidir sobre o arquivamento, porque o parecer não tinha tratado desse ponto. (g1, Gazeta do Povo)
- Em julho de 2026, Moraes mandou as joias apreendidas para a Receita Federal, que conduz um processo para que os bens fiquem com a União. Em setembro, a Receita pediu urgência para receber as provas, porque o prazo para multar os envolvidos termina em 26 de outubro de 2026. (g1, Gazeta do Povo)
Situação hoje e o que eles dizem
Situação hoje: Bolsonaro foi indiciado pela PF em julho de 2024, mas nunca foi denunciado. A PGR pediu o arquivamento em março de 2026, e Moraes pediu que ela analisasse antes o material sobre Wassef. Até a última notícia que encontramos, de setembro de 2026, não havia decisão final sobre o arquivamento. Na parte administrativa, a Receita Federal corre para aplicar multas aduaneiras até 26 de outubro de 2026.
O que eles dizem: A defesa de Bolsonaro sempre afirmou que ele não tinha qualquer ingerência sobre os presentes recebidos nas viagens oficiais. A própria PGR, ao pedir o arquivamento, disse que a lei sobre presentes a presidentes é confusa, o que os aliados usam como prova de que não houve crime. Wassef diz que nunca cometeu irregularidade e que a busca em seus celulares foi ilegal.
Como usar na conversa
- Comece pelo que todos aceitam: presente dado ao presidente é dado ao Brasil, não à família. Pergunte o que a pessoa acha de um presente oficial ser vendido no exterior.
- Seja honesto sobre o estado do caso. Diga que a PGR pediu para arquivar porque a lei é confusa. Depois pergunte: mesmo que não seja crime, é certo esconder joias na mochila e depois recomprar um Rolex às pressas?
- Não acuse a pessoa de apoiar ladrão. Fale de valores que vocês dividem: honestidade com o dinheiro público vale para qualquer governo.
Cuidado para não exagerar
- Não diga que Bolsonaro foi condenado ou é réu no caso das joias. Ele foi indiciado pela PF, e a PGR pediu o arquivamento.
- Não diga que o caso está encerrado a favor dele. O arquivamento foi pedido, mas não encontramos decisão final do STF até setembro de 2026.
- Não confunda os valores. O número correto da PF é R$ 6,8 milhões. Um primeiro texto do relatório falava em R$ 25 milhões, e a própria PF corrigiu.
- Não diga que todas as joias foram vendidas. Parte foi retida pela Receita em 2021, parte foi devolvida por ordem do TCU e parte foi recomprada.
Para mostrar na conversa4
- Vídeo · Jornal da RecordPF indicia Jair Bolsonaro no inquérito que investiga suposta venda ilegal de joiasO resumo do indiciamento de 2024 e do que a PF diz ter encontrado.
- Vídeo · CNN BrasilJoias Sauditas: PF indicia Bolsonaro e mais 11 pessoas | LIVE CNNQuem foram os 12 indiciados e os crimes apontados pela PF.
- Vídeo · g1JN: PGR pede arquivamento de investigação sobre joias recebidas por Jair Bolsonaro durante mandatoO argumento da PGR para arquivar. Bom para mostrar que você conhece o outro lado.
- Notícia · Gazeta do PovoMoraes manda STF enviar provas do caso das joias sauditas à ReceitaLinha do tempo do caso e a situação em setembro de 2026, num veículo que o eleitor de direita costuma ler.
Fontes7
- Agência Brasil: PF liga Bolsonaro a esquema para desviar mais de R$ 6,8 milhões
- Agência Brasil: Bolsonaro devolve joias e armas presenteadas pelo governo saudita
- Agência Brasil: PGR pede arquivamento de inquérito sobre desvio de joias por Bolsonaro
- g1: Caso das joias: Moraes pede que PGR analise material sobre Wassef antes de avaliar arquivamento
- g1: Moraes autoriza transferência de joias apreendidas no governo Bolsonaro para a Receita
- Gazeta do Povo: Moraes manda STF enviar provas do caso das joias sauditas à Receita
- CNN Brasil: Moraes pede que PGR se manifeste sobre conteúdo achado em celular de Wassef