Cloroquina, vacina e Aids: a desinformação da família Bolsonaro na pandemia
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Segundo o Aos Fatos, Bolsonaro fez 575 declarações falsas sobre vacinas no mandato. Flávio defendeu cloroquina e criticou o isolamento antes de virar defensor da vacina. Em 2026, aliados voltaram ao tema.
O que aconteceu9
- O Aos Fatos contou ao menos 575 declarações falsas ou enganosas de Jair Bolsonaro sobre vacinas contra a Covid durante o mandato, cerca de uma a cada dois dias. (Aos Fatos)
- Em outubro de 2021, numa live, Bolsonaro leu um texto que associava falsamente a vacina contra a Covid à Aids. Facebook, Instagram e YouTube tiraram o vídeo do ar. (Aos Fatos)
- Em dezembro de 2022, a PF concluiu que Bolsonaro atentou contra a paz pública ao espalhar essa notícia falsa. Ele não foi indiciado formalmente porque tinha foro no STF e isso exigia autorização prévia. (Folha de S.Paulo)
- Em setembro de 2020, Flávio escreveu: 'Estou curado da Covid-19, graças a Deus! Tratei, desde os primeiros sintomas, com hidroxicloroquina e azitromicina'. Em março de 2021, disse que 'tratamento precoce e vacina são totalmente complementares'. (Folha de S.Paulo (Painel))
- Em março de 2020, Flávio defendeu sair do isolamento horizontal para o vertical. Em março de 2021, compartilhou um vídeo que comparava governadores a nazistas num campo de concentração. (Folha de S.Paulo (Painel))
- A partir de 2021, Flávio passou a defender a vacina. Fez um projeto com Randolfe Rodrigues (PT-AP) para facilitar a compra de imunizantes e se vacinou em público em julho daquele ano. (Folha de S.Paulo (Painel), Folha de S.Paulo)
- Mesmo pró-vacina, Flávio distorceu fatos. Em setembro de 2021, postou que 'todas as vacinas aplicadas no Brasil, sem exceção' foram compradas pelo governo Bolsonaro, ignorando a Coronavac, trazida pelo governo de São Paulo. (Folha de S.Paulo (Painel))
- O relatório final da CPI da Covid, aprovado em outubro de 2021, propôs o indiciamento de Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro por incitação ao crime, por terem propagado e atuado num esquema de disseminação de fake news. (Folha de S.Paulo)
- Em agosto de 2026, Eduardo Bolsonaro, Nikolas Ferreira e outros aliados usaram uma audiência de Anthony Fauci nos EUA para repetir alegações sobre vacinas e cloroquina sem base científica. O vídeo de Nikolas passou de 37 milhões de visualizações. (Folha de S.Paulo (BBC News Brasil))
Situação hoje e o que eles dizem
Situação hoje: A CPI não tem poder de punir. Ela só sugere, e cabe à Procuradoria-Geral da República decidir. Em julho de 2022, a Folha registrava que a PGR ainda não tinha agido para responsabilizar figuras centrais apontadas pela CPI. Não há condenação de Flávio por desinformação na pandemia.
O que eles dizem: Flávio se apresenta como 'o Bolsonaro que toma vacina' e usa a postura na pandemia como prova de moderação. Procurado pelo Painel da Folha sobre as falas antigas, não respondeu. Ao se vacinar em 2021, escreveu: 'Obrigado ao negacionista @jairbolsonaro por garantir a vacina nos braços de todos os brasileiros!'. Em 2026, Eduardo disse que muita gente culpou o pai porque 'caiu em uma fake news em relação à vacina'.
Como usar na conversa
- Use a mudança de Flávio a seu favor. Ele mesmo deixou a cloroquina e passou a defender a vacina. Pergunte: se até ele mudou, por que aliados dele voltaram a espalhar dúvida sobre vacina em 2026?
- Lembre quem perdeu alguém. Muitas famílias acreditaram no tratamento precoce porque ouviram de gente em quem confiavam. Elas foram enganadas, não foram burras.
- Pergunte se a pessoa sabia que o próprio YouTube e o Facebook derrubaram a live sobre vacina e Aids. Mostrar o fato sem julgamento abre espaço para dúvida.
Cuidado para não exagerar
- Não diga que Flávio é antivacina. Ele defendeu a vacina desde 2021, se vacinou em público e propôs projeto com um senador do PT para comprar imunizantes.
- Não diga que Flávio foi indiciado ou condenado pela CPI. A CPI só propôs o indiciamento. Isso não é processo nem condenação.
- Não culpe a pessoa por ter tomado cloroquina ou acreditado nela. Muita gente seguiu o que ouviu de autoridades. O alvo é quem espalhou, não quem confiou.
- Não use números de mortes como acusação direta a Flávio. Os dados sobre a pandemia se referem ao governo federal, não a ele.
Para mostrar na conversa4
- Vídeo · Band JornalismoYouTube suspende conta de Jair Bolsonaro por 7 dias após associação falsa entre vacinas e a AidsA punição das plataformas à live que ligou vacina e Aids.
- Vídeo · CNN BrasilPF: Bolsonaro cometeu crime por desinformação sobre a Covid-19 | CNN 360ºA conclusão da PF sobre a fake news da vacina.
- Notícia · Folha de S.PauloFlávio defendeu cloroquina e criticou medidas contra Covid, antes de ser pró-vacinaAs postagens de Flávio sobre cloroquina e isolamento, com datas.
- Notícia · Aos FatosIndiciado por fraude em certificado de vacinação, Bolsonaro mentiu 575 vezes sobre vacinas durante mandatoO levantamento das falas falsas de Bolsonaro sobre vacinas, por tema.
Fontes8
- Aos Fatos: Indiciado por fraude em certificado de vacinação, Bolsonaro mentiu 575 vezes sobre vacinas durante mandato
- Aos Fatos: YouTube derruba live de Bolsonaro com associação falsa entre vacinas contra Covid-19 e Aids
- Folha de S.Paulo: PF conclui apuração e imputa crimes a Bolsonaro por fake news em caso de vacina
- Folha de S.Paulo (Painel): Flávio defendeu cloroquina e criticou medidas contra Covid, antes de ser pró-vacina
- Folha de S.Paulo: Flávio Bolsonaro se vacina contra Covid e diz que presidente 'negacionista' garantiu imunizantes a todos
- Folha de S.Paulo: CPI da Covid aprova relatório e pede punição de Bolsonaro e mais 79 por crimes na pandemia
- Folha de S.Paulo (BBC News Brasil): Por que Nikolas Ferreira e outros bolsonaristas voltaram a explorar desinformação sobre Covid às vésperas da eleição
- Folha de S.Paulo: Inação de Lira e Aras é peça-chave de impunidade a Bolsonaro