Gabinete do ódio e o inquérito das fake news
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A PF descreveu ao STF um grupo dentro do Planalto que produzia ataques e mentiras contra adversários. É investigação, não condenação, mas os fatos apurados são graves.
O que aconteceu7
- Em março de 2019, o então presidente do STF, Dias Toffoli, abriu por conta própria o inquérito das fake news. A relatoria foi entregue a Alexandre de Moraes, sem sorteio. (Folha de S.Paulo)
- Em maio de 2020, Moraes autorizou buscas contra aliados de Bolsonaro. Na decisão, escreveu que as provas apontavam uma associação criminosa que espalhava notícias falsas e ataques ao STF, aparentemente financiada por empresários. (STF)
- Em fevereiro de 2022, a delegada da PF Denisse Ribeiro enviou ao STF um relatório sobre uma milícia digital que operava por meio de um 'autodenominado gabinete do ódio'. A suspeita era de que o grupo atuava dentro do Palácio do Planalto, com funcionários comissionados do governo. (CNN Brasil)
- Segundo o relatório, o grupo agia em quatro fases: escolhia o alvo, dividia as tarefas, atacava com posts ofensivos, falsos ou distorcidos e depois multiplicava o alcance com perfis grandes. A própria PF disse que ainda faltava identificar os autores e o papel de cada um. (CNN Brasil)
- O relatório final da CPI da Pandemia, de outubro de 2021, descreveu o gabinete do ódio como um núcleo no Planalto 'capitaneado por Carlos Bolsonaro', com os assessores Filipe Martins e Tercio Arnaud. O texto pôs Bolsonaro e os filhos, Flávio entre eles, no 'núcleo de comando' da desinformação. (El País Brasil)
- Em julho de 2024, a PF apontou indícios de ligação entre dirigentes da Abin e o gabinete do ódio. Segundo a investigação, o grupo criou perfis falsos e divulgou informações sabidamente falsas contra integrantes dos Três Poderes e jornalistas. (g1)
- Em outubro de 2025, o STF condenou os sete réus do 'núcleo da desinformação' da trama golpista. Dois deles, ex-integrantes da Abin, eram acusados de fazer parte de uma estrutura paralela da agência que produzia notícias falsas contra opositores de Bolsonaro. (Folha de S.Paulo)
Situação hoje e o que eles dizem
Situação hoje: O inquérito das fake news completou sete anos em março de 2026 sem conclusão. Em 9 de setembro de 2026, o presidente do STF, Edson Fachin, tirou Moraes da relatoria e manteve as decisões anteriores. Até aqui, não há condenação de Bolsonaro nem dos filhos especificamente por integrar o gabinete do ódio. As condenações de 2025 saíram do processo da trama golpista.
O que eles dizem: Bolsonaro nega que o gabinete do ódio exista. Em 2020, disse: 'Inventam essas coisas, atacam covardemente o garoto lá, o Tércio, o Mateus, o Carlos. Agora me aponte uma materialidade'. Aliados chamam o inquérito de perseguição. A crítica ao inquérito não vem só deles: a OAB pediu o fim da investigação, que chamou de 'natureza perpétua', e juristas ouvidos pela Folha também defendem o encerramento.
Como usar na conversa
- Comece pelo método, não pelo nome. Pergunte se a pessoa já recebeu um ataque igual, na mesma hora, em vários grupos. A descrição da PF (escolher alvo, atacar, multiplicar) ajuda a pessoa a reconhecer o que ela mesma viu no celular.
- Mostre que quem recebe essas mensagens é usado. O grupo precisava de gente comum repassando para o ataque funcionar. Ninguém gosta de descobrir que foi peça de uma engrenagem.
- Se a pessoa criticar o inquérito, concorde no que for justo. Dá para achar o inquérito longo demais e, ao mesmo tempo, achar grave um grupo pago com cargo público para espalhar mentira.
Cuidado para não exagerar
- Não diga que o gabinete do ódio foi condenado. Relatório da PF é investigação, e relatório de CPI é conclusão política. Nenhum dos dois é sentença.
- Não diga que Flávio chefiava o gabinete do ódio. A CPI apontou Carlos como líder do núcleo. Flávio aparece no 'núcleo de comando' descrito pela CPI, que não tem poder de punir ninguém.
- Não defenda o inquérito das fake news como se fosse perfeito. Juristas, a OAB e parte do STF criticam a duração e a falta de transparência. Reconhecer isso dá força ao resto do que você diz.
- Não misture as investigações. O inquérito das fake news, o das milícias digitais e o da Abin paralela são apurações diferentes.
Para mostrar na conversa4
- Vídeo · CNN BrasilRelatório da PF entregue ao Supremo aponta a existência de um “gabinete do ódio” | VISÃO CNNResumo do relatório da PF de 2022 que descreve o grupo e suas quatro fases de ataque.
- Vídeo · UOLPF mira 'gabinete do ódio' em nova operação sobre 'Abin paralela' durante o governo BolsonaroA operação de 2024 que ligou o gabinete do ódio ao uso ilegal da Abin.
- Vídeo · g1Fachin tira Moraes da relatoria do inquérito das Fake News e assume casoA situação do inquérito em setembro de 2026, sete anos depois de aberto.
- Notícia · g1PF aponta ligação da Abin com gabinete do ódio no governo BolsonaroQue o grupo criava perfis falsos e espalhava informações falsas contra autoridades e jornalistas, segundo a PF.
Fontes8
- Folha de S.Paulo: Inquérito das fake news completa 7 anos ainda em uso e em meio a crise sem precedentes no STF
- STF: Nota do Gabinete do Ministro Alexandre de Moraes
- CNN Brasil: Relatório da PF entregue ao Supremo aponta a existência de um “gabinete do ódio”
- El País Brasil: Bolsonaro é “líder e porta-voz” das ‘fake news’ no país, diz relatório final da CPI da Pandemia
- g1: PF aponta ligação da Abin com gabinete do ódio no governo Bolsonaro
- Folha de S.Paulo: STF condena réus do núcleo da desinformação da trama golpista
- Agência Brasil: Fachin decide tirar Moraes da relatoria do inquérito das fake news
- Correio Braziliense: Bolsonaro nega existência do 'gabinete do ódio' dentro do Planalto