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O governo Bolsonaro

“Foi a pandemia”: ela explica os números ruins do governo Bolsonaro?

  • O governo Bolsonaro

    “Foi a pandemia”: ela explica os números ruins do governo Bolsonaro?

    Jair Bolsonaro · Paulo Guedes · Eduardo Pazuello

  • Em resumo

    A pandemia pesou de verdade: a economia do mundo encolheu, os preços subiram em todo lugar e o auxílio emergencial segurou a pobreza em 2020. Mas ela não explica tudo: a fome e a economia fraca vinham de antes, e o governo atrasou vacinas, apostou na cloroquina e trocou quatro vezes de ministro da Saúde.

  • O que aconteceu

    É verdade que a crise foi mundial. O FMI estimou que a economia do planeta encolheu 3,5% em 2020. No Brasil, o PIB caiu 3,3% naquele ano, pelo número revisado do IBGE.

    Fonte: O Globo, Agência Brasil

  • O que aconteceu

    Também é verdade que os preços subiram no mundo todo. A inflação de 2019 a 2022 somou 26,93%, e especialistas ouvidos pelo g1 apontam a pandemia como principal causa, junto com o dólar alto, as commodities e a guerra na Ucrânia. Mesmo assim, em 2021 a OCDE previa para o Brasil a terceira maior inflação entre as principais economias.

    Fonte: g1, O Globo

  • O que aconteceu

    O auxílio emergencial funcionou em 2020. O governo propôs R$ 200, a Câmara anunciou R$ 500, e Bolsonaro, após conversar com Paulo Guedes, aceitou R$ 600. Segundo o Banco Mundial, a extrema pobreza caiu de 5,4% da população em 2019 para 1,9% em 2020, a menor da série.

    Fonte: UOL, Poder360

  • O que aconteceu

    O efeito durou pouco. Com a redução do auxílio, a pobreza teve alta recorde em 2021 e chegou a 62,5 milhões de pessoas (29,4% da população), o maior nível desde 2012, segundo o IBGE.

    Fonte: Gazeta do Povo

  • O que aconteceu

    A economia já andava devagar antes do vírus. Em 2019, primeiro ano do governo, o PIB cresceu 1,2% e o desemprego ficou em 11,9% na média do ano. Também em 2019 o governo acabou com o ganho real do salário mínimo, que passou a ser corrigido só pela inflação.

    Fonte: Agência Brasil, El País Brasil

  • O que aconteceu

    A fome também vinha subindo antes. A pesquisa do IBGE de 2017 e 2018 já contava 10,3 milhões de pessoas em insegurança alimentar grave, 3 milhões a mais que cinco anos antes. Em janeiro de 2019, por medida provisória, Bolsonaro tirou do Consea, o conselho de segurança alimentar, a função de propor a política contra a fome.

    Fonte: g1, BBC News Brasil

  • O que aconteceu

    A fome passou de 19 milhões de pessoas em 2020 para 33,1 milhões entre o fim de 2021 e o início de 2022, segundo a Rede Penssan. O Brasil voltou ao Mapa da Fome da ONU em 2021. A ONU atribui a volta à mudança nas prioridades das políticas públicas e também à pandemia.

    Fonte: BBC News Brasil, Agência Senado, ONU Brasil (FAO)

  • O que aconteceu

    Até o fim de 2022, o Brasil registrou 692.743 mortes por covid, ou 3.294 por milhão de habitantes, segundo os dados oficiais reunidos pelo Our World in Data. A média do mundo foi de 838 por milhão. O Brasil ficou acima dos vizinhos Argentina (2.866), Colômbia (2.746) e México (2.576), perto de Estados Unidos (3.162) e Reino Unido (3.159), e abaixo do Peru (6.512).

    Fonte: Our World in Data

  • Situação hoje

    Balanço justo: a pandemia explica a queda da economia em 2020, boa parte da inflação e parte da alta da fome, e isso aconteceu no mundo todo. Ela não explica a economia fraca e a fome em alta de antes de 2020, o atraso nas vacinas, a aposta na cloroquina, a troca de ministros nem o fato de o Brasil ter tido mais mortes por habitante que a média mundial e que os vizinhos. A CPI pediu o indiciamento de Bolsonaro, mas até outubro de 2026 não há condenação pelos fatos da pandemia.

  • O que eles dizem

    A versão mais forte do argumento: nenhum governo do mundo passou bem pela pandemia, e a crise econômica veio das medidas de isolamento de governadores e prefeitos. Em maio de 2022, Bolsonaro disse: “A inflação vem do ‘fica em casa, a economia a gente vê depois’, não é isso?”. Segundo a revista piauí, ele usou esse bordão em 51% das lives que fez de março de 2020 a setembro de 2022. Em outubro de 2021, afirmou que o Brasil foi um dos países que menos sofreram na economia, e Paulo Guedes disse que a alta de preços era uma questão global. Na CPI, o senador Eduardo Girão resumiu: “Erros nós tivemos no mundo inteiro”. Os defensores também lembram que o governo pagou o auxílio emergencial e que a extrema pobreza chegou ao menor nível da história em 2020.

  • Cuidado para não exagerar

    • Não negue que a pandemia pesou. A economia caiu e os preços subiram no mundo todo. Quem nega isso perde a conversa no primeiro minuto.
    • Não use o número de mortes sem contexto. O Brasil é populoso, então compare por milhão de habitantes. Lembre que muitos países contaram menos mortes do que tiveram, e que Estados Unidos e Reino Unido ficaram perto do Brasil.
    • As mortes evitáveis são estimativas. Diga sempre quem calculou: Pedro Hallal, o Observatório Covid-19 Brasil, a UFMG. Não diga que “Bolsonaro matou 400 mil”.
  • Como usar na conversa

    • Comece concordando: “A pandemia foi difícil para qualquer governo, isso é verdade”. Depois pergunte: “Então a comparação justa é com outros países na mesma pandemia, certo?”.
    • Mostre o antes. Pergunte como estavam o emprego e a comida em 2019, antes do vírus. O PIB cresceu 1,2%, o desemprego estava em 11,9% e a fome já subia.
    • Separe o que era inevitável do que foi escolha. O vírus não foi escolha. Deixar a Pfizer sem resposta, recusar a CoronaVac e defender a cloroquina foram.
  • Fontes

    • O Globo
    • Agência Brasil
    • g1
    • UOL
    • Poder360
    • Gazeta do Povo
    • El País Brasil
    • BBC News Brasil
    • Agência Senado
    • ONU Brasil (FAO)
    • Our World in Data
    • CNN Brasil
    • revista piauí
  • A ficha completa, com links

    Linha do tempo, situação jurídica, defesa e vídeos para mostrar.

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O governo BolsonaroJair Bolsonaro · Paulo Guedes · Eduardo Pazuello · Luiz Henrique Mandetta · Nelson Teich · Marcelo Queiroga · revisada em 6 de outubro de 2026

A pandemia pesou de verdade: a economia do mundo encolheu, os preços subiram em todo lugar e o auxílio emergencial segurou a pobreza em 2020. Mas ela não explica tudo: a fome e a economia fraca vinham de antes, e o governo atrasou vacinas, apostou na cloroquina e trocou quatro vezes de ministro da Saúde.

O que aconteceu12
  1. É verdade que a crise foi mundial. O FMI estimou que a economia do planeta encolheu 3,5% em 2020. No Brasil, o PIB caiu 3,3% naquele ano, pelo número revisado do IBGE. (O Globo, Agência Brasil)
  2. Também é verdade que os preços subiram no mundo todo. A inflação de 2019 a 2022 somou 26,93%, e especialistas ouvidos pelo g1 apontam a pandemia como principal causa, junto com o dólar alto, as commodities e a guerra na Ucrânia. Mesmo assim, em 2021 a OCDE previa para o Brasil a terceira maior inflação entre as principais economias. (g1, O Globo)
  3. O auxílio emergencial funcionou em 2020. O governo propôs R$ 200, a Câmara anunciou R$ 500, e Bolsonaro, após conversar com Paulo Guedes, aceitou R$ 600. Segundo o Banco Mundial, a extrema pobreza caiu de 5,4% da população em 2019 para 1,9% em 2020, a menor da série. (UOL, Poder360)
  4. O efeito durou pouco. Com a redução do auxílio, a pobreza teve alta recorde em 2021 e chegou a 62,5 milhões de pessoas (29,4% da população), o maior nível desde 2012, segundo o IBGE. (Gazeta do Povo)
  5. A economia já andava devagar antes do vírus. Em 2019, primeiro ano do governo, o PIB cresceu 1,2% e o desemprego ficou em 11,9% na média do ano. Também em 2019 o governo acabou com o ganho real do salário mínimo, que passou a ser corrigido só pela inflação. (Agência Brasil, El País Brasil)
  6. A fome também vinha subindo antes. A pesquisa do IBGE de 2017 e 2018 já contava 10,3 milhões de pessoas em insegurança alimentar grave, 3 milhões a mais que cinco anos antes. Em janeiro de 2019, por medida provisória, Bolsonaro tirou do Consea, o conselho de segurança alimentar, a função de propor a política contra a fome. (g1, BBC News Brasil)
  7. A fome passou de 19 milhões de pessoas em 2020 para 33,1 milhões entre o fim de 2021 e o início de 2022, segundo a Rede Penssan. O Brasil voltou ao Mapa da Fome da ONU em 2021. A ONU atribui a volta à mudança nas prioridades das políticas públicas e também à pandemia. (BBC News Brasil, Agência Senado, ONU Brasil (FAO))
  8. Até o fim de 2022, o Brasil registrou 692.743 mortes por covid, ou 3.294 por milhão de habitantes, segundo os dados oficiais reunidos pelo Our World in Data. A média do mundo foi de 838 por milhão. O Brasil ficou acima dos vizinhos Argentina (2.866), Colômbia (2.746) e México (2.576), perto de Estados Unidos (3.162) e Reino Unido (3.159), e abaixo do Peru (6.512). (Our World in Data)
  9. Na CPI da Covid, em junho de 2021, o epidemiologista Pedro Hallal, da UFPel, estimou que 400 mil mortes poderiam ter sido evitadas se o Brasil tivesse ficado na média mundial. Pela análise do grupo dele, só o atraso na compra das vacinas da Pfizer e da CoronaVac resultou em 95,5 mil mortes. Senadores governistas contestaram o cálculo. (Agência Senado, g1)
  10. A Pfizer ofereceu vacinas em agosto de 2020, inclusive 1,5 milhão de doses para aquele ano, e o governo não respondeu. O contrato só saiu em março de 2021. Em outubro de 2020, um dia depois de o Ministério da Saúde anunciar 46 milhões de doses da CoronaVac, Bolsonaro escreveu: “Não compraremos a vacina da China”. A vacinação começou em 17 de janeiro de 2021, justamente com a CoronaVac trazida pelo Butantan. (g1, Agência Brasil)
  11. Pesquisadores do Observatório Covid-19 Brasil calcularam que mais 47 mil idosos poderiam ter sido salvos se a vacinação tivesse começado antes. Um estudo da UFMG estimou que vacinar 40 dias antes, com mais doses e junto com medidas de proteção, poderia ter evitado 400 mil mortes. (Agência Brasil)
  12. O Brasil teve quatro ministros da Saúde na pandemia: Mandetta, Teich, Pazuello e Queiroga. A saída dos dois primeiros é atribuída à resistência de Bolsonaro ao isolamento. Teich ficou 29 dias e saiu após divergir sobre a cloroquina. A CPI da Covid atribuiu a Bolsonaro crimes como charlatanismo e infração a medidas sanitárias. (BBC News Brasil, g1)
Situação hoje e o que eles dizem

Situação hoje: Balanço justo: a pandemia explica a queda da economia em 2020, boa parte da inflação e parte da alta da fome, e isso aconteceu no mundo todo. Ela não explica a economia fraca e a fome em alta de antes de 2020, o atraso nas vacinas, a aposta na cloroquina, a troca de ministros nem o fato de o Brasil ter tido mais mortes por habitante que a média mundial e que os vizinhos. A CPI pediu o indiciamento de Bolsonaro, mas até outubro de 2026 não há condenação pelos fatos da pandemia.

O que eles dizem: A versão mais forte do argumento: nenhum governo do mundo passou bem pela pandemia, e a crise econômica veio das medidas de isolamento de governadores e prefeitos. Em maio de 2022, Bolsonaro disse: “A inflação vem do ‘fica em casa, a economia a gente vê depois’, não é isso?”. Segundo a revista piauí, ele usou esse bordão em 51% das lives que fez de março de 2020 a setembro de 2022. Em outubro de 2021, afirmou que o Brasil foi um dos países que menos sofreram na economia, e Paulo Guedes disse que a alta de preços era uma questão global. Na CPI, o senador Eduardo Girão resumiu: “Erros nós tivemos no mundo inteiro”. Os defensores também lembram que o governo pagou o auxílio emergencial e que a extrema pobreza chegou ao menor nível da história em 2020.

Como usar na conversa
  • Comece concordando: “A pandemia foi difícil para qualquer governo, isso é verdade”. Depois pergunte: “Então a comparação justa é com outros países na mesma pandemia, certo?”.
  • Mostre o antes. Pergunte como estavam o emprego e a comida em 2019, antes do vírus. O PIB cresceu 1,2%, o desemprego estava em 11,9% e a fome já subia.
  • Separe o que era inevitável do que foi escolha. O vírus não foi escolha. Deixar a Pfizer sem resposta, recusar a CoronaVac e defender a cloroquina foram.
  • Reconheça o auxílio emergencial, e conte a história inteira: o governo propôs R$ 200, o Congresso puxou o valor para cima, e a pobreza bateu recorde em 2021, quando o auxílio diminuiu.

Cuidado para não exagerar

  • Não negue que a pandemia pesou. A economia caiu e os preços subiram no mundo todo. Quem nega isso perde a conversa no primeiro minuto.
  • Não use o número de mortes sem contexto. O Brasil é populoso, então compare por milhão de habitantes. Lembre que muitos países contaram menos mortes do que tiveram, e que Estados Unidos e Reino Unido ficaram perto do Brasil.
  • As mortes evitáveis são estimativas. Diga sempre quem calculou: Pedro Hallal, o Observatório Covid-19 Brasil, a UFMG. Não diga que “Bolsonaro matou 400 mil”.
  • Não chame Bolsonaro de genocida. A CPI tirou o genocídio do texto final, e ele não foi condenado pelos fatos da pandemia. Fale das escolhas, com data e fonte.
Para mostrar na conversa6
Fontes25
  1. O Globo: FMI melhora previsão de crescimento do Brasil e do mundo em 2021, com vacina e estímulos
  2. Agência Brasil: IBGE revisa queda do PIB de 2020 para 3,3%
  3. g1: Inflação no governo Bolsonaro atinge o maior patamar para um mandato desde a primeira gestão de Dilma
  4. O Globo: Bolsonaro diz que economia do Brasil sofreu menos que resto do mundo, mas que inflação é culpa do 'fique em casa'
  5. UOL: Bolsonaro aumenta valor após fala de Maia e propõe R$ 600 a trabalhadores
  6. Poder360: Extrema pobreza do Brasil cai para a mínima histórica em 2020
  7. Gazeta do Povo: Pobreza teve aumento recorde em 2021 e chegou ao maior nível desde 2012, diz IBGE
  8. Agência Brasil: Taxa de desemprego cai no país e fecha 2019 em 11,9%
  9. El País Brasil: Bolsonaro propõe salário mínimo sem aumento real e veta concurso público em 2020
  10. g1: Fome no Brasil: em 5 anos, cresce em 3 milhões o nº de pessoas em situação de insegurança alimentar grave, diz IBGE
  11. g1: Bolsonaro altera lei e extingue atribuições do conselho de segurança alimentar
  12. BBC News Brasil: Não é só efeito da pandemia: por que 19 milhões de brasileiros passam fome
  13. Agência Senado: Retorno do Brasil ao Mapa da Fome da ONU preocupa senadores e estudiosos
  14. ONU Brasil (FAO): ARTIGO: Brasil voltou a sair do Mapa da Fome
  15. Our World in Data: Coronavirus (COVID-19) Deaths
  16. Agência Senado: Pesquisas apontam que 400 mil mortes poderiam ser evitadas; governistas questionam
  17. g1: Epidemiologista diz à CPI da Covid que cerca de 400 mil mortes poderiam ter sido evitadas
  18. g1: Governo não aceitou propostas que previam 1,5 milhão de doses de vacina ainda em 2020, diz Pfizer
  19. g1: 'Não compraremos a vacina da China', diz Bolsonaro em rede social
  20. Agência Brasil: Há 5 anos, Brasil aplicava primeiras doses de vacina contra a covid-19
  21. BBC News Brasil: CPI da Covid: O que esperar dos depoimentos de Mandetta, Teich e Pazuello
  22. g1: Teich deixa o Ministério da Saúde antes de completar um mês no cargo e após divergir de Bolsonaro
  23. g1: CPI da Covid: Veja quais são os crimes atribuídos a cada um dos citados
  24. CNN Brasil: Lula e Bolsonaro trocam acusações sobre alta da inflação
  25. revista piauí: Bolsonaro usou a expressão “fica em casa, a economia a gente vê depois” em mais da metade das lives na pandemia

Veja também