Amazônia e Yanomami no governo Bolsonaro
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O desmatamento na Amazônia subiu 59,5% no mandato, com fiscalização em queda. O garimpo avançou na terra Yanomami, e a crise de saúde virou emergência em 2023.
O que aconteceu10
- Pelo Prodes, do Inpe, o desmatamento na Amazônia era de 7.536 km² quando Bolsonaro assumiu. Foi a 10.129 km² em 2019, 10.851 km² em 2020, 13.038 km² em 2021 e 11.568 km² em 2022 (estimativa divulgada em novembro de 2022). (g1)
- Segundo cálculo do Observatório do Clima com dados do Inpe, o desmatamento subiu 59,5% no mandato, a maior alta percentual de um governo desde o início das medições por satélite, em 1988. A média anual foi de 11.396 km², contra 7.145 km² nos quatro anos anteriores. (g1)
- Em 2021, o Brasil perdeu a maior área de floresta desde 2006. No mesmo período, o Ibama lavrou 2.472 autos de infração, 41% menos que antes da gestão Bolsonaro e o menor número da série. (g1)
- Segundo o MapBiomas, o governo federal fiscalizou cerca de 2,17% dos alertas de desmatamento entre janeiro de 2019 e março de 2022. (Folha de S.Paulo)
- Em 2019, Bolsonaro acusou o Inpe de mentir sobre os dados de desmatamento. O diretor do instituto, Ricardo Galvão, rebateu e acabou exonerado. (g1)
- Na Terra Indígena Yanomami, a área de garimpo quase quadruplicou em um ano: de 414 hectares em 2020 para 1.556 hectares em 2021, segundo o MapBiomas. (piauí)
- Em janeiro de 2023, o governo declarou emergência de saúde pública no território. O Ministério dos Povos Indígenas informou que 99 crianças Yanomami com menos de 5 anos morreram em 2022, por desnutrição, pneumonia e malária, entre outras causas. Houve 11.530 casos de malária em 2022. (UOL (AFP))
- Segundo o Ministério Público Federal, um plano do Ibama para tirar os garimpeiros da terra Yanomami em seis meses foi validado, mas nunca aplicado no governo Bolsonaro. (O Globo)
- Depois, o desmatamento caiu: 22,3% de agosto de 2022 a julho de 2023 e 30,6% no período seguinte. De agosto de 2024 a julho de 2025, a Amazônia perdeu 5,8 mil km², a menor área em 11 anos. (g1, g1 (Jornal Nacional))
- As mortes de Yanomami seguiram altas no primeiro ano do governo Lula. Até outubro de 2023, foram 215 mortes, mais que em todo o ano de 2022. (Gazeta do Povo)
Situação hoje e o que eles dizem
Situação hoje: Dados fechados do mandato de 2019 a 2022. O desmatamento na Amazônia caiu nos anos seguintes, mas a degradação por incêndios cresce desde 2022.
O que eles dizem: Em 2019, Bolsonaro acusou o Inpe de mentir sobre os dados e de agir “a serviço de alguma ONG”. Ele também disse que a divulgação dos dados atrapalhava negociações comerciais. Bolsonaro defendeu abrir terras indígenas ao garimpo e à exploração agrícola e questionou a demarcação da terra Yanomami.
Como usar na conversa
- Fale de lei e ordem: garimpo ilegal e desmatamento ilegal são crimes. Pergunte: “Você acha certo o governo fiscalizar só 2% dos alertas de crime?”.
- Fale com quem é do agro: desmatamento ilegal fecha mercados para quem produz certo. Em 2025, o desmatamento caiu e o agro seguiu crescendo, segundo o governo.
- Sobre os Yanomami, fale das crianças. 99 crianças pequenas morreram em 2022. Pergunte o que a pessoa acha que um governo deve fazer quando sabe que o garimpo ilegal está ali.
Cuidado para não exagerar
- O desmatamento já vinha subindo desde 2015, antes de Bolsonaro. Diga que ele acelerou, não que começou.
- O período de agosto de 2022 a julho de 2023 inclui meses do governo Bolsonaro. Não atribua toda a queda de 2023 só a Lula.
- As mortes de Yanomami continuaram altas em 2023. A crise é antiga e não acabou com a troca de governo.
- Não chame de “genocídio” como se fosse fato julgado. A palavra foi usada por autoridades e entidades, mas não há condenação por isso.
- A degradação por incêndios cresceu desde 2022, inclusive no governo Lula. Não diga que a Amazônia está resolvida.
Para mostrar na conversa4
- Vídeo · EstadãoDesmatamento aumenta 22% na Amazônia brasileira, maior área dos últimos 15 anosO recorde de desmatamento de 2021, com dados do Inpe.
- Vídeo · Rádio BandeirantesCrise humanitária do povo YANOMAMI foi gerada por "OMISSÃO DO ESTADO", afirma MPFO Ministério Público Federal explica a crise Yanomami.
- Vídeo · CNN BrasilDesnutrição atinge mais da metade das crianças yanomami | CNN NOVO DIAA gravidade da desnutrição infantil no território.
- Notícia · g1Desmatamento na Amazônia tem maior alta percentual em um mandato presidencial, afirmam entidadesO balanço do desmatamento nos quatro anos de governo.
Fontes12
- g1: Inpe: desmatamento na Amazônia tem queda de 11% em relação a 2021
- g1: Desmatamento na Amazônia tem maior alta percentual em um mandato presidencial, afirmam entidades
- g1: Maior taxa de desmatamento na Amazônia em 15 anos coincide com menor número de autuações do Ibama
- Folha de S.Paulo: Governo Bolsonaro fiscalizou menos de 3% dos alertas de desmatamento no país
- g1: Diretor do Inpe diz que discurso sobre Bolsonaro 'causou constrangimento' e será exonerado
- piauí: Em um ano, a área ocupada pelo garimpo em terras yanomami quadruplicou
- UOL (AFP): Quase 100 crianças do povo Yanomami morreram em 2022
- O Globo: Plano do Ibama para tirar garimpeiros de terra ianomâmi em seis meses não foi aplicado no governo Bolsonaro, diz MPF
- g1: Inpe: taxa de desmatamento na Amazônia cai 22%
- g1: Inpe: taxa de desmatamento cai 30% na Amazônia e 25% no Cerrado
- g1 (Jornal Nacional): Brasil anuncia o menor desmatamento dos últimos 11 anos na Amazônia e dos últimos 5 no Cerrado
- Gazeta do Povo: Governo interrompe relatórios semanais após registrar alta de mortes de yanomamis em 2023