“As urnas eletrônicas são fraudadas e não dá pra auditar”
Arraste para o lado ou use as setas do teclado para passar os slides.
Em 30 anos de urna eletrônica, nenhuma fraude comprovada. O que é fato, o que os testes mostram e onde a desconfiança tem algum ponto.
Os fatos7
O que dizem: A urna eletrônica pode ser hackeada, o resultado é manipulado e ninguém consegue conferir. Sem voto impresso, não dá pra confiar.
O medo por trás: Ter o voto roubado sem perceber. Sentir que a decisão já está tomada antes da eleição e que a sua opinião não conta.
- Desde que a urna eletrônica começou a ser usada, em 1996, não há registro de fraude comprovada na votação ou na apuração. (Lupa)
- Antes de cada eleição, especialistas de fora do TSE tentam atacar o sistema no Teste Público de Segurança. No teste para 2026, foram 29 planos de ataque executados. Nenhum conseguiu alterar votos, resultados ou quebrar o sigilo do voto. (Aos Fatos)
- As falhas menores encontradas no teste foram corrigidas, e os próprios investigadores conferiram as correções em maio de 2026. (Aos Fatos)
- É falso que hackers invadiram as urnas no teste do TSE. Também circulam em 2026 boatos falsos de que o TSE anularia a eleição ou trocaria as urnas por modelos novos. (Aos Fatos, Lupa)
- No dia da eleição, urnas sorteadas passam por uma votação simulada com cédulas de papel, filmada e acompanhada por partidos. No primeiro turno de 2026, o resultado da urna bateu com as cédulas, como em todos os testes desde 2002. (Metrópoles)
- O relatório das Forças Armadas sobre a eleição de 2022, feito no governo Bolsonaro, não apontou nenhuma fraude. (Agência Brasil)
- Em 2023, o TSE tornou Bolsonaro inelegível por oito anos por ter usado uma reunião com embaixadores, em 2022, para espalhar informações falsas sobre as urnas. (Agência Brasil)
Onde a crítica tem razão3
- Os técnicos militares escreveram que o trabalho deles não excluía a possibilidade de fraude e reclamaram de acesso limitado ao código-fonte. Ou seja: não acharam fraude, mas também disseram que não conseguiram checar tudo o que queriam. (CNN Brasil, Agência Brasil)
- O voto impresso não é uma ideia só de uma minoria. Em 2021, a maioria dos deputados presentes votou a favor (229 a 218), mas a proposta precisava de 308 votos para mudar a Constituição. (Agência Câmara)
- O teste público acha falhas de verdade todo ano. Em 2025, foram quatro planos de ataque com achados, que precisaram ser corrigidos. Segurança perfeita não existe, e é justo cobrar transparência. (Aos Fatos)
O melhor argumento do outro lado: Confiança em eleição depende de o cidadão comum conseguir conferir, sem precisar acreditar em técnicos. Por isso, muitos defendem um registro em papel do voto como camada extra de segurança, e a maioria da Câmara chegou a votar a favor disso em 2021.
Como responder
1. Comece pela pessoa
“O que te faria confiar no resultado de uma eleição, ganhando ou perdendo?”
2. Encontre o valor em comum
Os dois querem que o voto de cada um seja contado do jeito que foi dado. Confiar na eleição, ganhando ou perdendo, importa para vocês dois.
Uma história sua ajuda: Uma lembrança sua de votar pela primeira vez, ou de trabalhar como mesário ou fiscal numa seção eleitoral.
Sem uma história sua? Conte a de alguém, dizendo de onde veio:
- Luzia Ferreira, ex-vereadora de Belo Horizonte, trabalhou como fiscal nas apurações do tempo do voto em papel. Ela contou que ficava atenta a sinais de fraude, como muitos votos com a mesma letra para um só candidato e gente que já chegava com a cédula preenchida. Luzia Ferreira, ex-vereadora de BH e ex-fiscal de apuração, ouvida pelo Estado de Minas · ler no Estado de Minas
- Emmanuel Girão trabalhou como escrutinador em Pentecoste (CE) em 1988, quando ainda era bancário, e depois virou promotor eleitoral. Ele lembra do voto formiguinha, em que uma cédula já preenchida passava de eleitor em eleitor, e de urnas com mais cédulas do que eleitores que assinaram a lista. Emmanuel Girão, ex-escrutinador e promotor eleitoral no Ceará, ouvido pelo Diário do Nordeste · ler no Diário do Nordeste
3. Reconheça o que é verdade
Os técnicos militares escreveram que o trabalho deles não excluía a possibilidade de fraude e reclamaram de acesso limitado ao código-fonte. Ou seja: não acharam fraude, mas também disseram que não conseguiram checar tudo o que queriam.
4. Escolha um argumento (um só por conversa)
- No dia da eleição, urnas sorteadas passam por uma votação simulada com cédulas de papel, filmada e acompanhada por partidos, e o resultado sempre bateu, desde 2002.Como dizer: Pergunte primeiro: “você sabia que tem urna sorteada que recebe voto de papel no dia da eleição?”. Depois explique como funciona.Por que funciona: Mostra que já existe uma conferência com papel, o que responde ao medo de ninguém poder conferir.
- Nem o relatório das Forças Armadas sobre 2022, feito no governo Bolsonaro, apontou fraude.Como dizer: Traga como informação de uma fonte que a pessoa respeita, sem tom de vitória: “até os militares olharam e não acharam fraude”.Por que funciona: Uma fonte que a pessoa considera do lado dela pesa mais do que qualquer órgão que ela já desconfia.
- Antes de cada eleição, especialistas de fora tentam atacar a urna. No teste para 2026, foram 29 planos de ataque, e nenhum alterou votos. As falhas menores foram corrigidas.Como dizer: Comece admitindo que falha existe: “eles acham problema todo ano, e é bom que achem”. Só depois diga que ninguém conseguiu mudar voto.Por que funciona: Admitir que o sistema não é perfeito torna mais crível a parte de que ele é testado e corrigido.
Se a pessoa disser…
- “Os próprios militares disseram que não dava para descartar fraude.” Reconheça. Os técnicos escreveram isso e reclamaram de acesso limitado ao código-fonte. Explique que não achar fraude e não conseguir checar tudo são duas coisas verdadeiras ao mesmo tempo, e que cobrar mais acesso é justo.
- “Se fosse confiável, por que não aprovaram o voto impresso?” Concorde que a ideia não é de uma minoria: a maioria dos deputados presentes votou a favor em 2021, mas faltaram votos para mudar a Constituição. Defender o voto impresso é uma opinião legítima, diferente de afirmar que houve fraude.
Evite
- Dizer que a urna é perfeita e impossível de atacar. O próprio teste acha falhas todo ano, e a pessoa pode saber disso.
- Tratar quem defende o voto impresso como golpista. Muita gente defende isso de boa fé, inclusive a maioria da Câmara em 2021.
5. Feche sem pressão
Pergunte de novo: “e agora, mudou alguma coisa?”. Aceite a resposta. Uma dúvida já é resultado.
Para mostrar na conversa6
- Vídeo · TRE São Paulo (YouTube)Teste de Integridade Eleições 2026 - 1º TurnoMostra a auditoria do dia da eleição: votos de cédulas de papel são digitados em urnas sorteadas e o resultado é comparado com as cédulas. Bom para quem diz que ninguém confere a urna com papel.
- Vídeo · CNN Brasil (YouTube)Teste de integridade vai conferir funcionamento das urnas neste domingo (4) | CNN ELEIÇÕESExplicação curta, em canal de TV, de como o teste de integridade verifica se a urna registra e conta corretamente os votos digitados.
- Vídeo · Justiça Eleitoral (YouTube)TSE dá início ao Teste Público da UrnaMostra o início do teste de 2025, em que especialistas de fora do TSE tentam achar falhas nos sistemas que serão usados em 2026.
- Vídeo · Jovem Pan News (YouTube)Relatório do Ministério da Defesa não aponta fraude nas urnasUm canal que a pessoa de direita costuma respeitar noticiando que o relatório dos militares sobre 2022 não apontou fraude.
- Notícia · CNN BrasilRelatório de militares não aponta fraude nas eleições; TSE afirma que recebeu documento com "satisfação"Traz as duas partes do relatório: os militares não constataram irregularidades, mas disseram não ser possível afirmar que o sistema está isento de um eventual código malicioso. Use quando a pessoa citar só uma das partes.
- Notícia · MetrópolesUrnas auditadas na sede do TSE encerram teste sem divergências nos votosResultado do teste de integridade no primeiro turno de 2026: os votos da urna bateram com as cédulas de papel.
Fontes7
- Lupa: Urnas eletrônicas voltam a ser alvo de desinformação em 2026; veja o que já checamos
- Aos Fatos: Hackers não invadiram urnas eletrônicas em teste de segurança do TSE
- Metrópoles: Urnas auditadas na sede do TSE encerram teste sem divergências nos votos
- Agência Brasil: Ministério da Defesa entrega relatório sobre urnas eletrônicas ao TSE
- CNN Brasil: Relatório das Forças Armadas não exclui possibilidade de fraude ou inconsistência nas urnas, diz Ministério da Defesa
- Agência Brasil: Por 5 votos a 2, TSE torna Bolsonaro inelegível por oito anos
- Agência Câmara: Câmara rejeita proposta que tornava obrigatório o voto impresso