“Vão ensinar ideologia de gênero e distribuir kit gay nas escolas”
Arraste para o lado ou use as setas do teclado para passar os slides.
O tal kit gay nunca chegou às escolas. O que existiu, o que é boato e onde a preocupação dos pais tem fundamento.
Os fatos5
O que dizem: O PT quer distribuir o kit gay nas escolas e ensinar ideologia de gênero pras crianças.
O medo por trás: A escola ensinando aos filhos coisas que contrariam a fé da família, sem os pais poderem opinar.
- O que virou 'kit gay' era um material contra a violência a alunos homossexuais, pensado para o ensino médio. Dilma suspendeu a produção e a distribuição em 2011, e ele nunca chegou às escolas. (Agência Brasil, Agência Pública, Poder360 (Comprova))
- As imagens de sexo explícito que circularam como se fossem do kit vinham de uma cartilha do Ministério da Saúde sobre doenças sexualmente transmissíveis, que não era material escolar. (Poder360 (Comprova))
- O livro 'Aparelho Sexual e Cia.', mostrado por Bolsonaro na TV em 2018, não foi distribuído pelo MEC. O TSE mandou tirar do ar vídeos que diziam o contrário. (Agência Pública)
- O plano de Lula de 2022 não falava em ideologia de gênero. Falava em incluir pessoas LGBTQIA+ na educação e no trabalho. (CNN Brasil)
- Em 2017, no governo Temer, o MEC tirou os termos 'orientação sexual' e 'identidade de gênero' da versão final da Base Nacional Comum Curricular. (Agência Brasil)
Onde a crítica tem razão4
- O material existiu. Foi encomendado pelo MEC, com vídeos sobre transexualidade e bissexualidade para debate em sala, e deveria ir para 6 mil escolas de ensino médio. (Agência Brasil, Gazeta do Povo)
- A própria Dilma disse que não concordava com o kit e que o governo não faria propaganda de opção sexual. (Gazeta do Povo)
- Em 2020, o STF decidiu que um município não pode proibir material sobre gênero nas escolas, porque currículo é assunto federal. Na prática, uma lei local não basta para tirar o tema da sala. (STF)
- Em 2023, um conselho ligado ao Ministério dos Direitos Humanos recomendou que escolas deixem alunos trans usar banheiro e uniforme de acordo com a identidade de gênero. É só recomendação, sem força de lei. (Aos Fatos)
O melhor argumento do outro lado: Os pais têm direito de participar do que a escola ensina sobre sexualidade. Quando o STF derruba leis locais sobre o tema e conselhos do governo recomendam regras sobre banheiro, muitas famílias sentem que essas decisões são tomadas longe delas, sem consulta.
Como responder
1. Comece pela pessoa
“O que você espera que a escola ensine, e o que acha que é papel da família?”
2. Encontre o valor em comum
Vocês dois querem proteger as crianças e querem que a família tenha voz no que a escola ensina.
Uma história sua ajuda: Uma lembrança sua da escola, de um professor que marcou você, ou de uma conversa difícil com filho ou neto sobre algo que ele ouviu na escola.
Sem uma história sua? Conte a de alguém, dizendo de onde veio:
- Numa escola municipal de Santa Cruz do Sul (RS), a orientadora Jaqueline ensina crianças de 8 anos, com música e adesivos numa boneca, quais partes do corpo ninguém pode tocar e a quem contar se algo acontecer: mãe, avó, tia, professora. Foi assim que uma adolescente se abriu com ela e contou que era abusada pelo avô, que acabou condenado. Ela diz que os pais confiam no trabalho. Jaqueline Fusieger Rosa, orientadora educacional no Rio Grande do Sul, ouvida pela Folha de S.Paulo · ler no Folha de S.Paulo
- Marina é professora numa escola social dos Irmãos Maristas, uma ordem católica, perto de Curitiba. Nas aulas sobre o corpo, alunos de 13 anos discutem limites, assédio e a quem pedir ajuda. Ela conta que quase sempre algum aluno a procura depois, em particular, para dizer que algo assim acontecia com ele e nunca tinha contado a ninguém. Marina Vatti, professora de escola católica marista no Paraná, ouvida pela Folha de S.Paulo · ler no Folha de S.Paulo
3. Reconheça o que é verdade
O material existiu. Foi encomendado pelo MEC, com vídeos sobre transexualidade e bissexualidade para debate em sala, e deveria ir para 6 mil escolas de ensino médio.
4. Escolha um argumento (um só por conversa)
- O material que virou “kit gay” era contra a violência a alunos homossexuais, pensado para o ensino médio. Dilma suspendeu em 2011, e ele nunca chegou às escolas.Como dizer: Comece pelo direito dos pais de saber o que a escola ensina e só depois conte o destino do material: “eu fui atrás pra saber o que era isso de verdade, e ele nunca chegou na escola”.Por que funciona: Falar do valor antes do dado mostra que você está do lado da família, não contra ela.
- As imagens de sexo explícito que circularam como se fossem do kit vinham de uma cartilha do Ministério da Saúde sobre doenças sexualmente transmissíveis, que não era material escolar.Como dizer: Pergunte antes de afirmar: “você sabe de onde vieram aquelas imagens pesadas?”. Depois conte com calma.Por que funciona: A pergunta abre espaço para a dúvida, e a pessoa percebe sozinha que foi enganada com uma imagem tirada de outro lugar.
- Em 2017, no governo Temer, o MEC tirou os termos “orientação sexual” e “identidade de gênero” da versão final da Base Nacional Comum Curricular.Como dizer: Traga como informação nova, sem tom de vitória: “eu também não sabia, mas esses termos saíram da base curricular em 2017”.Por que funciona: Um fato que a pessoa não conhecia, dito sem ironia, ajuda a medir o tamanho real do problema.
Se a pessoa disser…
- “Mas o material existiu! O MEC encomendou.” Concorde. Ele existiu, foi encomendado pelo MEC, tinha vídeos sobre transexualidade e bissexualidade e iria para 6 mil escolas de ensino médio. A própria Dilma disse que não concordava com ele e suspendeu. O ponto é que ele não chegou às escolas.
- “O STF proibiu as prefeituras de barrar ideologia de gênero na escola.” Reconheça que é verdade em parte: em 2020, o STF decidiu que um município não pode proibir material sobre gênero porque currículo é assunto federal. Diga que a preocupação dos pais com quem decide isso é legítima e merece debate, mas que isso é diferente do kit que nunca foi distribuído.
Evite
- Dizer que o kit “nunca existiu”. O material existiu, e a pessoa vai achar que você está escondendo algo.
- Tratar a preocupação dos pais como preconceito. A conversa acaba ali, e a pessoa se sente atacada na fé e na família.
5. Feche sem pressão
Pergunte de novo: “e agora, mudou alguma coisa?”. Aceite a resposta. Uma dúvida já é resultado.
Para mostrar na conversa6
- Vídeo · Jovem Pan - 3 em 1 (YouTube)TSE proíbe Bolsonaro a falar em "Kit Gay"Um canal que a pessoa conservadora respeita contando a decisão do TSE de 2018 e dizendo que o material nunca foi distribuído nas escolas.
- Vídeo · CNN Brasil (YouTube)TSE multa Bolsonaro por vídeo sobre suposto kit gay | CNN ARENAEm 2023, o TSE multou Bolsonaro em R$ 20 mil por divulgar um vídeo sobre o suposto kit gay. Serve para mostrar que a Justiça tratou a história como desinformação.
- Vídeo · Nova Escola (YouTube)NOVA ESCOLA checa discurso de Bolsonaro sobre "Kit Gay"Uma revista feita para professores confere um vídeo de 2016 de Bolsonaro sobre o kit gay e aponta os erros, com os dados corretos.
- Notícia · Gazeta do PovoGoverno não fará "propaganda de opção sexual", diz Dilma sobre kitUm jornal que o público conservador lê registrando que a própria Dilma barrou o material em 2011.
- Notícia · Poder360 (Comprova)Comprova: imagens do suposto 'kit gay' não foram distribuídas em escolasMostra que as imagens pesadas que circulam como se fossem do kit vieram de uma cartilha de saúde que não era material escolar.
- Notícia · Agência PúblicaA eleição do "kit gay"Reportagem longa com a história completa: o que era o material, por que foi suspenso e como o livro mostrado na TV em 2018 nunca foi distribuído pelo MEC.
Fontes8
- Agência Brasil: Após pressão de religiosos, Dilma suspende produção de "kit homofobia"
- Gazeta do Povo: Governo não fará "propaganda de opção sexual", diz Dilma sobre kit
- Agência Pública: A eleição do "kit gay"
- Poder360 (Comprova): Comprova: imagens do suposto 'kit gay' não foram distribuídas em escolas
- CNN Brasil: Texto viral com nove ‘propostas de Lula’ traz informações falsas sobre programa
- Agência Brasil: MEC retira termo "orientação sexual" da Base Curricular
- STF: Lei municipal que proíbe ensino sobre questões de gênero é inconstitucional
- Aos Fatos: Governo Lula não determinou criação de banheiros unissex em escolas