“O governo Lula só aumenta imposto, o Haddad é taxador”
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Aqui a crítica tem bastante razão. O que subiu, o que caiu e onde está o exagero quando chamam o governo de taxador.
Os fatos4
O que dizem: O governo Lula só sabe criar imposto. Taxou as blusinhas, aumentou o IOF e quer taxar tudo.
O medo por trás: Trabalhar cada vez mais e ver uma parte maior do dinheiro ir para o governo, sem retorno.
- Em novembro de 2025, Lula sancionou a lei que zera o Imposto de Renda de quem ganha até R$ 5 mil por mês. Segundo o governo, cerca de 15 milhões de pessoas são beneficiadas. (Agência Câmara)
- Para compensar, a mesma lei criou uma cobrança gradual de até 10% sobre cerca de 140 mil pessoas com renda acima de R$ 600 mil por ano. A Câmara aprovou o projeto por unanimidade, e o Senado também aprovou. (Agência Câmara)
- A taxa das blusinhas entrou como emenda do Congresso em outro projeto e foi sancionada por Lula em 2024. Em setembro de 2026, ele sancionou o fim da cobrança federal de 20% nas compras de até US$ 50. O ICMS dos estados continua. (Metrópoles, Jovem Pan)
- É falso o vídeo em que Haddad diria que o plano do governo é taxar tudo. O áudio foi trocado por uma dublagem feita com inteligência artificial. (Aos Fatos)
Onde a crítica tem razão4
- O peso dos impostos subiu. Pelo Tesouro, a carga tributária chegou a 32,32% do PIB em 2024, o maior nível em 15 anos da série. Parte disso veio da volta de impostos sobre combustíveis e da taxação de fundos exclusivos e offshores. (Agência Brasil, Gazeta do Povo)
- Haddad errou ao dizer, em 2024, que o governo não tinha criado impostos. O governo passou a tributar apostas online e fundos de investimento e aumentou impostos sobre armas. (Aos Fatos)
- Em 2025, o governo aumentou o IOF por decreto para reforçar o caixa e cumprir a meta fiscal. O Congresso derrubou o aumento, mas o STF manteve quase todo o decreto. (Agência Brasil)
- A própria taxa das blusinhas foi sancionada por Lula, e só caiu dois anos depois, em ano eleitoral. (Metrópoles, Jovem Pan)
O melhor argumento do outro lado: O Brasil já cobra muito imposto para o serviço que entrega. O governo escolheu fechar as contas aumentando receita em vez de cortar gasto, e isso tira dinheiro de quem produz e consome.
Como responder
1. Comece pela pessoa
“Quanto do seu salário você sente que vai embora em imposto?”
2. Encontre o valor em comum
Ninguém gosta de trabalhar e ver o dinheiro sumir em imposto sem retorno. Vocês dois querem que o trabalhador comum pague menos e receba mais.
Uma história sua ajuda: Uma experiência sua com o desconto no contracheque, uma compra importada ou a declaração do Imposto de Renda.
Sem uma história sua? Conte a de alguém, dizendo de onde veio:
- Cristina trabalha há 13 anos numa empresa de água e saneamento na Bahia. Contou que, no mês antes da isenção, o desconto de Imposto de Renda no salário foi de R$ 260. Disse que vai usar o dinheiro na poupança do filho, no material escolar e num passeio, sem precisar buscar um segundo trabalho, porque o salário mal dava para o mês. Cristina Silva, assistente de saneamento da Embasa, ouvida pela TVT · ler no TVT News
- Fernando é metalúrgico há 18 anos na pintura de uma montadora. Para ele, quanto menos imposto o trabalhador paga, mais sobra no bolso para aliviar as contas, fazer um curso e planejar o futuro. Também disse achar justo que quem ganha mais pague mais. Fernando Gomes, metalúrgico da Volkswagen, ouvido pela TVT · ler no TVT News
3. Reconheça o que é verdade
O peso dos impostos subiu. Pelo Tesouro, a carga tributária chegou a 32,32% do PIB em 2024, o maior nível em 15 anos da série. Parte disso veio da volta de impostos sobre combustíveis e da taxação de fundos exclusivos e offshores.
4. Escolha um argumento (um só por conversa)
- Desde novembro de 2025, quem ganha até R$ 5 mil por mês não paga mais Imposto de Renda, e a compensação veio de cerca de 140 mil pessoas com renda acima de R$ 600 mil por ano.Como dizer: Concorde primeiro que os impostos subiram e só então pergunte quem pagou a conta: “subiu, sim, mas você sabe quem passou a pagar mais e quem parou de pagar?”.Por que funciona: Concordar com o que é verdade reduz a defesa, e a pergunta desloca a conversa para quem paga, que é o que interessa ao trabalhador.
- O vídeo em que Haddad diria que o plano é taxar tudo é falso. O áudio foi trocado por uma dublagem feita com inteligência artificial.Como dizer: Traga como alerta, não como correção: “cuidado com aquele vídeo do Haddad, a voz foi feita por inteligência artificial”.Por que funciona: Ninguém gosta de ser enganado. Mostrar a montagem protege a pessoa sem atacar a opinião dela sobre impostos.
- A taxa das blusinhas entrou como emenda do Congresso e foi sancionada por Lula em 2024. Em setembro de 2026, ele sancionou o fim da cobrança federal de 20% nas compras de até US$ 50, mas o ICMS dos estados continua.Como dizer: Conte a história inteira, sem esconder a parte ruim: “o Lula sancionou a taxa, sim, e agora sancionou o fim da parte federal. O ICMS dos estados ainda está lá”.Por que funciona: Admitir o lado ruim antes da pessoa trazer mostra que você não está defendendo time.
Se a pessoa disser…
- “A carga de impostos é a maior em 15 anos!” Concorde. Pelo Tesouro, chegou a 32,32% do PIB em 2024, o maior nível da série de 15 anos. Explique que parte disso veio da volta de impostos sobre combustíveis e da taxação de fundos exclusivos e offshores, e que dá para discutir se esse foi o melhor caminho.
- “E o aumento do IOF? Foi por decreto, sem passar pelo Congresso.” Reconheça: o governo aumentou o IOF em 2025 para reforçar o caixa e cumprir a meta fiscal. O Congresso derrubou, e o STF manteve quase todo o decreto. É uma crítica justa ao caminho escolhido pelo governo.
Evite
- Dizer que o governo não aumentou impostos. Aumentou, e negar isso faz a pessoa desconfiar de todo o resto.
- Transformar a conversa em “só os ricos pagam”. A pessoa sente o peso no próprio bolso, e falar só dos ricos soa como se você ignorasse isso.
5. Feche sem pressão
Pergunte de novo: “e agora, mudou alguma coisa?”. Aceite a resposta. Uma dúvida já é resultado.
Para mostrar na conversa6
- Vídeo · Jornal da Record (YouTube)É falso vídeo em que Haddad anuncia novos impostos; peça foi criada por IAReportagem da Record mostrando que o vídeo de Haddad anunciando impostos foi feito com inteligência artificial. Use quando a pessoa citar o vídeo do taxar tudo.
- Vídeo · Jovem Pan News (YouTube)Imposto de Renda: Lula sanciona isenção para R$ 5 milA Jovem Pan noticiando a sanção da isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil. Mostra um imposto que caiu, num veículo que a pessoa de direita respeita.
- Vídeo · Poder360 (YouTube)Lula diz que cedeu a Lira e aceitou taxa das blusinhas “a contragosto”Lula admite que aceitou a cobrança sobre compras de até US$ 50 depois de um pedido de Arthur Lira. Serve para os dois lados: a taxa nasceu no Congresso, mas Lula concordou com ela.
- Vídeo · CNN Brasil (YouTube)Entenda o que muda com o fim da "taxa das blusinhas" | CNN NOVO DIAExplica o fim da cobrança federal nas compras internacionais de até US$ 50. Use para mostrar que essa taxa caiu.
- Vídeo · Band Jornalismo (YouTube)Brasil atinge maior carga tributária nos últimos 20 anos | Jornal da BandReportagem sobre o peso recorde dos impostos e o efeito no preço dos produtos. Use para reconhecer que a crítica tem base antes de falar do exagero.
- Vídeo · CNN Brasil (YouTube)Alexandre de Moraes restabelece decreto do IOF | CNN ARENANotícia de que o STF devolveu a validade ao decreto do governo que aumentou o IOF. Mostra que esse aumento aconteceu de verdade.
Fontes8
- Agência Câmara: Ampliação da isenção de Imposto de Renda vira lei, e autoridades destacam justiça tributária
- Metrópoles: Lula sanciona lei e "taxa das blusinhas" vale a partir de 1º de agosto
- Jovem Pan: Lula sanciona fim da 'taxa das blusinhas' em compras de até US$ 50
- Aos Fatos: É falso que Haddad disse que plano do governo Lula é 'taxar tudo'
- Aos Fatos: No Roda Viva, Haddad desinforma ao dizer que governo Lula não criou novos impostos
- Agência Brasil: Prévia da carga tributária sobe para 32,32% do PIB em 2024
- Gazeta do Povo: Carga tributária sobe a 32,3% do PIB em 2024, no maior nível em 15 anos
- Agência Brasil: STF: Alexandre de Moraes decide validar decreto do IOF