O plano econômico de Flávio Bolsonaro: o “tesouraço”
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O plano promete cortar gastos e impostos ao mesmo tempo. Mas não diz quanto vai cortar, onde, nem quem paga a conta.
O que aconteceu10
- Flávio Bolsonaro protocolou o plano de governo na Justiça Eleitoral em 13 de agosto de 2026. A bandeira é um “grande tesouraço”: cortar gastos, enxugar a máquina e reduzir impostos. (Folha de S.Paulo)
- O plano propõe trocar o arcabouço fiscal por uma nova regra, focada em reduzir a dívida. Se aprovada, seria o terceiro teto de gastos em cerca de dez anos. O texto não traz a fórmula da regra nem metas em números. (Folha de S.Paulo, Forbes Brasil)
- Promete cortar no mínimo 10 ministérios, reduzir cargos comissionados e combater supersalários. O plano não diz quais ministérios, quantos cargos nem quanto isso economiza. (Forbes Brasil)
- Propõe retomar o Programa Nacional de Desestatização, “avaliando caso a caso”. Não há lista de empresas, cronograma nem estimativa de arrecadação. (Forbes Brasil)
- Propõe rever a reforma tributária, cortar exceções e reduzir o IVA. Também promete baixar impostos sobre energia e combustíveis. Segundo a Folha, isso pode aumentar os benefícios fiscais em vez de reduzi-los. (Folha de S.Paulo, Forbes Brasil)
- A coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, ex-assessora de Paulo Guedes, disse à GloboNews que o corte de gastos seria de 1,5% do PIB. O plano não indica quais despesas permanentes seriam reduzidas. (g1)
- Economistas ouvidos pela Folha dizem que o plano não explica como equilibrar as contas. Sergio Vale, da MB Associados, vê incoerência: o texto promete cortar gastos e impostos e, ao mesmo tempo, gastar mais com presídios e infraestrutura. (Folha de S.Paulo)
- O plano anuncia R$ 900 bilhões em infraestrutura em quatro anos, com capital privado, concessões, BNDES e um fundo com bens da União. Não diz quanto viria de cada fonte. (Forbes Brasil)
- O plano não fala em desvincular aposentadorias do salário mínimo. Na entrevista à Globo, Flávio não respondeu se manterá a regra atual do mínimo. Disse que não vai “fazer economia do povo mais sofrido” nem com os aposentados. (g1)
- Economistas estimam que estabilizar a dívida exige ajuste de ao menos R$ 250 bilhões em quatro anos. Segundo a reportagem, as equipes de Lula e de Flávio evitaram detalhar como fariam isso. (O Tempo (Folhapress))
Situação hoje e o que eles dizem
Situação hoje: Proposta do plano registrado no TSE em 13 de agosto de 2026. Flávio terminou o primeiro turno à frente e disputa o segundo turno com Lula em 25 de outubro de 2026. Até 6 de outubro de 2026, a campanha não divulgou quanto cada medida economiza.
O que eles dizem: O plano diz: “Nossa bandeira é um grande tesouraço: um corte profundo e por todos os lados, que enxuga a máquina, coloca as contas em ordem e reduz os impostos que pesam sobre quem produz.” Também afirma que “juros menores não se decretam: conquistam-se com contas em ordem”. A campanha promete manter os programas sociais, com combate a fraudes, e diz que não vai cortar dos aposentados.
Como usar na conversa
- Comece pelo bolso. Cortar 1,5% do PIB é muito dinheiro. Pergunte: “Você sabe de onde vai sair esse corte?”. Saúde, educação e Previdência estão entre os maiores gastos. Deixe a pessoa pensar no que ela aceitaria perder.
- Mostre a conta que não fecha: cortar imposto, cortar gasto e ainda construir presídios e investir R$ 900 bilhões em obras. Não diga que é mentira. Pergunte quem paga.
- Valorize o que é legítimo: querer menos desperdício e menos imposto é razoável. A pergunta é se o plano mostra o caminho. Hoje, ele não mostra.
Cuidado para não exagerar
- Não diga que Flávio vai acabar com o Bolsa Família ou cortar aposentadorias. O plano diz manter os programas sociais, e ele afirmou que não fará economia com aposentados. A crítica correta é que ele não explica de onde sai o corte.
- Não diga que ele vai privatizar a Petrobras. O plano fala em retomar privatizações “caso a caso”, sem lista de empresas.
- O número de 1,5% do PIB veio da coordenadora, em entrevista. Não está escrito no plano.
- Economistas também criticam o plano de Lula por não dizer como fechar as contas. Não apresente isso como defeito só de Flávio.
Para mostrar na conversa4
- Vídeo · UOLFlávio Bolsonaro: Coordenadora de plano econômico fala de tesourada, salário mínimo, previdência e+Daniella Marques, coordenadora econômica, explica o tesouraço com as palavras da própria campanha.
- Vídeo · g1Eleições 2026 - Flávio Bolsonaro responde a pergunta sobre salário-mínimo e aposentadoriaFlávio não diz se mantém a regra atual de reajuste do salário mínimo.
- Notícia · Folha de S.PauloPlano de governo de Flávio Bolsonaro propõe tesouraço e novo teto de gastosO resumo do plano econômico no dia em que foi registrado.
- Notícia · Folha de S.PauloProgramas de Lula e Flávio fazem promessas sem dizer como vão bancar gastosEconomistas apontam as lacunas dos dois planos, com críticas a ambos.
Fontes7
- Folha de S.Paulo: Plano de governo de Flávio Bolsonaro propõe tesouraço e novo teto de gastos
- Forbes Brasil: “Tesouraço”: o que prevê a cartilha de Flávio Bolsonaro para a economia
- g1: Flávio Bolsonaro no segundo turno: veja o que o candidato propõe caso seja eleito
- Folha de S.Paulo: Programas de Lula e Flávio fazem promessas sem dizer como vão bancar gastos
- g1: Salário mínimo e aposentadoria: confira quais são as propostas dos candidatos a presidente
- g1: Flávio Bolsonaro diz que 'não há nada de errado' na relação com Vorcaro e afirma que Eduardo errou no tarifaço
- O Tempo (Folhapress): Estabilizar dívida pública requer ajuste de ao menos R$ 250 bilhões, dizem economistas